HINO E SÍMBOLOS DO MUNICÍPIO DE CEREJEIRAS

HINO DO MUNICÍPIO DE CEREJEIRAS

 

”Tua história é forjada na bravura

No destemor do nobre bandeirante.

Na solidão sem fim dos seringais

E a fibra indomável do migrante.

 

Na campina verdejante da fazenda

Foi a escola o berço promissor,

Onde o projeto dividiu a terra

Com justiça ao bravo lavrador.

 

Cerejeiras,

Onde o campo plantado

É mais verde e bonito,

Com o fruto da terra

Vicejando no vale

E abraçando o infinito.

 

E tens hoje a epopéia do migrante

A construir em ti um mundo novo,

Traçando sobre a Terra o teu futuro

E o feliz destino de teu povo.

 

A nobreza que há na selva da Amazônia

Onde teu nome o povo foi buscar.

Na união do povo brasileiro

Que escolheu em ti viver e amar.

 

Cerejeiras,

Onde o campo plantado

É mais verde e bonito,

Com o fruto da terra

Vicejando no vale

E abraçando o infinito.

 

COMENTÁRIOS:

Segundo a Lei 035 de 16 de Outubro de 1.986.

A história do município de Cerejeiras está diretamente ligada á conquista do Vale do Guaporé. Assim, não podemos escrever a história do município sem considerarmos três fases distintas: a conquista, a ocupação e o desenvolvimento.

A CONQUISTA:

A história registra a presença de um bandeirante português Aleixo Garcia, em 1524 aprisionando índios no Vale do Guaporé quando se dirigia ao Perú, em cuja viajem foi assassinado pelos próprios índios. Vamos encontrar registro de Antônio Raposo Tavares, em 1650, também percorrendo o Vale através do Rio Guaporé.

Roquete Pinto, antropólogo da comissão da qual participou o ex-presidente americano Rooselvet, nos fala do bandeirante Antônio Pires que em 1718 cortou o chapadão do reino dos Parecís e de Luiz Rodolfo Villa que também percorreu o Rio Guaporé no ano de 1736.

Os espanhóis, por sua vez, haviam atravessado o Rio Guaporé e, levados pelo espírito da conquista começavam o ocupar o Vale do em direção a serra dos Parecís. A presença fixa do homem branco na região se deu com a fundação da missão de São Simão, pelo padre Francisco Xavier em 1746, a mando da coroa espanhola, seguida da missão de São Miguel e Santa Rosa, sendo esta fundada pelo padre Atanásio Teodori no local onde se encontra hoje o Real Forte Príncipe da Beira.

Por outro lado, em 1745, um ano antes da primeira missão fundada pelos espanhóis, os bandeirantes portugueses Antônia de Almeida Morais e Tristão de Cunha Gago, descobriram ouro no rio Corumbiara (no atual município de Cerejeiras), levando o governador da província de Mato Grosso, capitão General Antônio Rolim de Moura, a mando da coroa de Portugal, a designar Padre Augustinho Lourenço para fundar a primeira missão portuguesa o que foi feito em 12 de junho de 1752, às margens do rio Corumbiara, recebendo o nome de missão de São José, no local ‘denominado Casa redonda, em virtude de existir uma casa nesse formato construída por portugueses em 1743.

O mérito da conquista do Vale do Guaporé é dos homens comandados por Rolim de Moura, substituído mais tarde no governo por seu sobrinho João Pedro da Câmara que consolidou essa conquista e, cuja história e valentia não poderia ser descrita no simples arrazoado que acabamos de fazer.

O intuito da nossa descrição é provar a presença do homem branco no atual município de Cerejeiras e que, sem dúvida alguma foi à razão para justificar a conquista de todo o Vale do Guaporé em virtude da descoberta do ouro e pedras preciosas.

A prova material que podemos apresentar é a ‘‘cruz de bronze’’, implantada hoje em frente a capela de Pimenteiras, encontrada em plena selva pela comissão Rondon, cujo trabalho na Amazônia levou a Sociedade de Geografia de Nova Iorque a escrever o nome de Rondon no livro de ouro daquela associação como ‘‘ o quinto maior explorador do mundo’’.

Diante dos fatos citados fomos obrigados a fazer justiça, aqueles levados pelo espírito de luta e aventura conquistaram o vale do Guaporé, mesmo porque não fosse o trabalho desses homens, Rondônia não contaria hoje com Cerejeiras e outros municípios porque teriam sido terras conquistadas pela cora espanhola.

“Tua história é forjada na bravura,

No destemor, do nobre bandeirante”…

A OCUPAÇÃO:

A seringueira, a árvore nativa da região amazônica, era já no início do século XIX, conhecida dos jesuítas que utilizavam o látex para confecção de sapatos usados pelos índios e pessoas das missões. No entanto a sua utilização era limitada e a produção não despertava interesse.

Somente em 1842, quando Charles Goodyear e Hancook descobriram na Europa o processo de vulcanização da borracha esse subproduto da seringueira passou a ter valor comercial despertando interesse principalmente dos nordestinos, que já no final do século começaram efetivamente a ocupar a Amazônia, mas, acentuadamente após a seca de 1877.

Houve uma verdadeira ‘‘corrida de ouro’’pelos rios da Amazônia e Mato Grosso (Rondônia na época pertencia aos dois Estados). Levando os nordestinos a subirem o rio madeira e seus afluentes chegando ao Vale do Guaporé. Através de Abunã e dos rios Purús, Juruá, e Javari chegaram às terras da República Boliviana o que resultou na incorporação do atual Estado do Acre às terras brasileiras.

A Amazônia, principalmente, conheceu dias de glória Manaus e Belém nadavam no dinheiro, guardando, ainda hoje, relíquias arquitetônicas dessa época de luxo e riqueza.

Mas, o seringueiro continuou pobre e abandonado no meio da floresta. É preciso conhecer a Amazônia para se ter ideia do sofrimento por que pode passar um homem de região diferente, jogado repentinamente no meio do mato, cercado de doenças tropicais, animais ferozes, enfim, com o perigo a espreitá-lo em cada folha, cada árvore, cada inseto ou água parada onde o anofenilo depositou seus ovos, que serão transformados em portadores de malária, o maior inimigo do homem na floresta tropical.

No entanto, ‘‘ O nordestino que é antes de tudo um forte’’ soube adaptar-se à região espalhando seus descendentes no ‘‘ inferno verde’’ tornando realidade o sonho da cora portuguesa.

Quem visita o 5º B.E.C, em Porto velho, encontra  no portão da guarda as sábias palavras do General Rodrigo Otávio: ‘‘ARDUA É A MISSÃO DE DESENVOLVER A AMAZÔNIA, MUITO MAIS DIFÍCIL PORÉM FOI A DE NOSSOS ANTEPASSADOS EM CONQUISTÁ-LA E MANTÉ-LA.’’

Diante disso, temos que nos curvar e render homenagens aos que deixaram as marcas de seus pés, também, no chão de Cerejeiras.

‘‘Na solidão sem fim dos seringais’’…

A descoberta da borracha sintética, os seringais de cultivo da Malásia e outros fatores, contribuíram para a queda de preço da borracha, no entanto, a região da Amazônia não voltaria a ser como antes o seu destino estava traçado e, principalmente Rondônia, haveria de conhecer dias nunca sonhados.

O DESENVOLVIMENTO:

A partir de 1970, após a inauguração da BR-29 em 1961, uma nova migração se dirigiria à Amazônia, desta vez, principalmente no Sul do País. Ainda neste ano, em lugar do Instituto Nacional de desenvolvimento agrário- INDA e do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária – IBRA, extintos pelo Decreto nº 1.110, de 9 de julho, foi criado o INCRA com a finalidade de criar e implantar projetos de colonização ao longo das rodovias da Amazônia Legal . O seu trabalho atingiu o atual município de Cerejeiras através do Projeto Integrado de Colonização Paulo de Assis Ribeiro, liderado em 1975, em homenagem ao piloto que a serviço do INCRA faleceu na região em desastre aéreo.

Começamos então a conhecer um novo herói, o lavrador, digno representante dos novos habitantes do Estado. O homem que se sentiu pequeno diante da grandiosidade da floresta. Sentiu-se um nada por saber que o perigo é companheiro constante de quem anda no mato. Por saber que o perigo está no chão onde a cobra dorme tranquila e não quer ser incomodada. Onde a onça, o escorpião, a tucandeira, os tocos e cipós podem fazer sua vítima. Aprendeu que o perigo mora atrás de cada folha onde o carrapato e outros parasitas esperam o hospedeiro ou o homem pode segurar uma cobra camuflada no cipó. Descobriu que o perigo está no ar que respira, povoado de mosquitos que transmitem ao homem febres não identificadas, malária, leishimaniose, febre amarela, coceiras e etc… Percebeu que o perigo está no vento que ameniza o calor tropical porque pode fazer cair um galho de árvore em cima de quem passa. Descobriu que o perigo mora na água, onde o jacaré, o puraquê e a sucuri esperam de tocaia.

Aprendeu que a selva tem inúmeras maneiras de minar as forças de quem ousa desafiá-la e sentiu as mesmas sensações dos bandeirantes e dos seringueiros, para os quais, naquela época, a ciência não havia sequer descoberto remédios para combater as doenças tropicais.

Esse herói tem a nossa homenagem no verso que diz:

‘‘E a fibra indomável do migrante’’…

A seguir, citamos o início de tudo no que diz respeito à criação do município de Cerejeiras, falamos da escola de pau a pique, erguida na sede da fazenda escondido, desapropriada em função do Projeto, que foi por assim dizer a ‘‘ pedra fundamental’’ da capital de Cerejeiras.

‘‘ Na campina verdejante da fazenda

Foi a Escola o berço promissor’’…

Lembramos o Projeto, já citado no tópico anterior, cujo objetivo veio fazer justiça ao homem do campo, o pequeno agricultor, tão relegado em nosso País e que em Rondônia, provou que da união desses homens que isoladamente representam pouco, pode-se colher resultados surpreendentes como a transformação total da economia de um Estado.

‘‘Onde o Projeto dividiu a terra

Com justiça ao bravo lavrador’’…

A partir da terceira quadra passamos a cantar desenvolvimento propriamente dito, representado no trabalho do migrante de um modo geral que, dentro de sua profissão, dedicam à parcela de seus esforços em benefício do progresso da região. Lembrando mais uma vez, que por tratar-se de uma área de vocação agrícola, o seu destino é traçado nos sulcos da terra pela ferramenta do homem do campo.

‘‘E tens hoje a epopéia do migrante

A construir em ti um mundo novo

Trançando sobre a terra o teu futuro

E o feliz destino do teu povo’’…

Em 08.12.79, quatro anos após a libertação da área, o povo reuniu-se para escolher o nome do município. Entre tantos outros foi escolhido o atual que alguém teve a feliz ideia de buscar no que há de mais nobre na floresta amazônica, perpetuando assim a árvore de lei que por estranha ironia vai desaparecer da região dentro de poucos anos.

Nosso hino lembra esse fato para ensinar às gerações futuras que o município nasceu, também, a custa de sacrifício de milhares de árvores nobres que um dia cobriram o chão onde pisarão com orgulho.

‘‘A nobreza que há na selva da Amazônia

Onde o nome teu povo foi buscar’’…

Os dois últimos versos desta quadra são dedicados aos brasileiros de várias naturalidades que levados pelo espírito de aventura e destemor, juntaram-se em Cerejeiras, escolhendo-o como lugar para viver… E amar…

‘‘Na união do povo brasileiro

Que escolheu em ti viver e amar’’…

Até aqui o nosso hino é um poema, ao estribilho, porém, dedicamos a mais pura poesia de palavras simples, para o qual nos furtamos de fazer qualquer comentário, deixando aos participantes da comissão julgadora a tarefa de interpretação, mesmo porque, poesia nasce da alma sem qualquer explicação…

‘‘Cerejeiras,

Onde o campo é plantado

É mais verde e bonito,

Com o fruto da terra

Vicejando no Vale

E abraçando o infinito’’…

FAÌSCA.

BIBLIOGRAFIA:

Terras de Rondônia – Abnael Machado de Lima.

No rastro dos Pioneiros – Amizael Gomes da Silva.

Nas selvas amazônicas- Manoel Rodrigues Ferreira

Rondon o Sertanista – Flávio Guerra

Histórico Do Real Forte Príncipe da Beira – Secet – RO.

Calendário Cultural 1981/1985 – Secet – RO

ÓRGÃOS CONSULTADOS:

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE –RO.

Instituto Brasileiro de Colonização e Reforma Agrária – INCRA – RO.

5º Batalhão de Engenharia de Construção.

REVISTAS:

Interior (Min.Interior) Edição nº 12 pág.38- nº37 pág. 24. Nº 27.

Amazônia (Min.Interior) Edição 52 pág.30 nº 44 pág. 6.-

Manual Técnico (Cultura da Seringueira – Embrater).

 

A bandeira do Município de Cerejeiras é representada por um retângulo subdividido em quatro triângulos. O triangulo maior, na parte superior é branco composto de um triângulo menor composto por uma faixa na base, branca com o topônimo ‘CEREJEIRAS’. Dentro dele aparece o Céu Azul com uma Estrela Branca e abaixo, o verde e as duas Toras de Madeira representando a produção madeireira da região. O lado direito do triângulo ostenta um ramo de Café Frutificado e o lado esquerdo, Cachos de Arroz, salienta ai, a produção agrícola em destaque no município. Os triângulos que compõe a outra parte da Bandeira são: um de cor de verde que representa as matas e outro de cor amarela, riqueza aurífera da reunião.

As Armas Municipais são compostas de um escudo no formato de uma enxada, representando os primeiros desbravadores que exploraram o rico solo com trabalho e dedicação. O Rio Guaporé é o mais importante no Município, representa fonte de pesca, ponto turístico e meio de transporte. Abaixo do rio a colocação de toras de madeira, a qual deu origem ao nome do município, CEREJEIRAS. Acima do Rio o Por do Sol e de ambos os lados o cruzamento de cachos de arroz formando um arco que fecha o formato da enxada. Abaixo do arco as dadas 1979 – 1983 – RONDÔNIA, as datas representando o início da colonização e a emancipação política, ao lado de cada cacho de arroz um pé de milho, e abaixo ramos de café.

Observação: Armas municipais é referente ao período que antecedeu a emancipação do Município de  Pimenteiras do Oeste.